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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

BES vs Lesados do BES. A fome e a vontade de comer.

Ando a adiar este post vai para meses.

Ou porque não tenho paciência ou simplesmente porque não tenho mesmo paciência nenhuma e estou ocupado a beber café enquanto vejo a Maria Helena a impingir a sua panóplia de calhaus coloridos na televisão.

Vamos então falar sobre os lesados do BES.

Ponto um. Poucas coisas me incomodam mais que o sofrimento alheio. E este pessoal anda a sofrer porque lhes arrebanharam o carcanhol de uma vida inteira, enfiaram-no em papel comercial que neste momento vale menos que o papel higiénico do LIDL e agora que a bomba estourou, querem impingir a esta maralha de gente a devolução dos valores em forma de novas aplicações ou produtos de risco ou o raio que os parta.

Ponto dois. No entanto, uma das coisas que mais me incomoda do que o sofrimento alheio, é a estupidez e a ingenuidade universal do ser humano. Desculpem-me o meu ponto de vista mas...neste país da tanga onde anda meio mundo a fecundar o outro meio mundo, há pessoal que assina de letra um documento sem ler devidamente o que raio está a assinar? Ok, ok. O pessoal vai dizer "Epá, tens de ter em atenção que algumas dessas pessoas já têm idade, confiavam nos seus gestores de conta com quem trabalhavam há anos e tomavam-nos por pessoas de confiança". Sério? Ninguém investe um mínimo de 100 mil euros (o valor mínimo de investimento segundo o que soube) sem olhar duas vezes (ou trinta) para o que raio está a fazer. Das duas uma. Ou afinal de contas estamos muito longe de estar em crise como se apregoa ou acreditamos todos no Pai Natal, no Coelhinho da Páscoa e apanhamos todos o comboio e vamos todos ao circo.

Deixem-me dissecar um pouco isto.

Mínimo de 100 mil euros de investimento.

Taxas de juro a 6 meses verdadeiramente absurdas que nenhuma outra instituição bancária conseguia de forma alguma praticar, nem que os pombos andassem a cagar notas de quinhentos à porta das agências.

Pessoal que investiu desde 100 mil euros a um milhão de euros.

E ninguém se deu ao trabalho de ler aquilo que assinou? Ou foi simplesmente a ganância absurda dos juros a palpitar na moina desta gente que os cegou de tal forma que não viram ponta de um corno à frente dos olhos? Porque pelo que sei, ninguém lhes colocou uma calibre 35 encostada à têmpora e os obrigou sob ameaça a assinar porra de documento algum.

As minhas conclusões são relativamente simples.

O BES ludibriou centenas (se não mesmo milhares) de pessoas. Fez crer que a compra de papel comercial da Rioforte era um mero depósito a prazo. E por isso, deve ressarcir os seus clientes (em dinheiro, não produtos duvidosos da treta). No entanto, essas mesmas pessoas foram consumidas pelo verde da ganância extrema. Como se o caso BPN não tivesse servido de aviso (taxas de juro absurdas que nem mesmo Deus no seu perfeito juízo se fosse CEO de uma entidade bancária praticaria...), eis que foi tudo atrás das percentagens, feito carneiros.

Vejo as notícias e vejo os níveis de exaltação das pessoas a subirem exponencialmente. É normal. Não estamos a falar de cinco euros para beber a bica e comprar um maço de cigarros. Estamos a falar de provavelmente mais dinheiro do que aquele que terei no fim da minha vida. Mas não consigo isentar de responsabilidades toda e qualquer uma daquelas pessoas que grita, apedreja e investe contra as forças da autoridade. Simplesmente porque no fim de contas, foram eles que assinaram o documento. O lamentável é que só tenham visto o número à frente do símbolo de % e nada mais. Dava jeito ter lido o que se assinou. Perdia-se a possibilidade (muito efémera) de ganhar uma batelada de dinheiro mas não se perdia o dinheiro pelo qual se trabalhou uma vida inteira.

O BES fez jus às cores que detinha. Ganância.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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